Exu
É um orixá africano, também
conhecido como: Esu, Eshu, Bará, Ibarabo, Legbá, Elegbara, Eleggua, Akésan, Igèlù, Yangí,
Ònan, Lállú, Tiriri,
Ijèlú. Algumas cidades onde se cultua o Exu são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta, Ekiti e Lagos.
Orixá Exú, Candomblé do Brasil, 1978
Exu
Orixá da comunicação, do movimento e da sexualidade
Pais: Oxalá e Iemanjá
Irmãos: Ogum e Oxóssi
Instrumentos: Ogó (Bastão com cabaças)
Irmãos: Ogum e Oxóssi
Instrumentos: Ogó (Bastão com cabaças)
sincretismo: Santo Antônio, na Bahia.
História
Exu é o orixá da comunicação, da paciência,
da ordem e da disciplina. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento
humano. A palavra Èșù, em iorubá,
significa 'esfera', e, na verdade, Exu é o orixá do movimento. Ele é quem deve receber as
oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir
que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo espiritual) e o Aiye (o mundo material) seja plenamente
realizada.
Na África na
época da colonização
europeia, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos
colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e à forma como é
representado no culto africano. Por ser provocador, indecente, astucioso e
sensual, é comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um
equívoco, de acordo com a construção teológica iorubá, posto que não
está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do
mal.
Mesmo porque, nessa religião, não existem
diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins, como
ocorre no cristianismo, segundo o qual tudo o que
acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso por Deus. Na mitologia yoruba, porém, assim como no candomblé, cada uma das entidades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa
assim como o próprio ser humano.
De caráter irascível, Exu se satisfaz em
provocar disputas e trazer calamidades para as pessoas que estão em falta com
ele. No entanto, como tudo no universo possui
de um modo geral dois lados, positivo e negativo, Exu também funciona de forma
positiva quando é bem tratado. Daí ser Exu considerado o mais humano dos
orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano, que é, de um modo geral,
mutante em suas ações e atitudes.
Conta-se na Nigéria que
Exu teria sido um dos companheiros de Oduduà quando
da sua chegada a Ifé e
chamava-se Èsù Obasin. Mais tarde, tornou-se um dos assistentes deOrunmilá e
ainda rei de Ketu, sob o nome de Èsù Alákétú. A palavra elegbara significa "aquele que é possuidor
do poder" (agbará) e está ligada à figura de Exu.
Um dos cargos de Exu na Nigéria, mais
precisamente em Oyó, é denominado Èsù Àkeró ou Àkesán, que
significa "chefe de uma missão", pois este cargo tem como objetivo
supervisionar as atividades do mercado do rei. Exu praticamente não possui ewós (ou
quizilas) e aceita quase tudo o que lhe oferecem.
Os yorubas cultuam Exu em um pedaço de pedra
porosa chamada Yangi, ou
fazem um montículo grotescamente modelado na forma humana com olhos, nariz e
boca feita de búzios. Ou ainda representam Exu em uma estatueta enfeitada com
fileiras de búzios tendo em suas mãos pequeninas cabaças onde ele, Exu, carrega
diversos pós de elementais da terra usados de forma bem precisa em seus
trabalhos.
Exu tem a capacidade de ser o mais sutil e
astuto de todos os orixás. E quando as pessoas estão em falta com ele,
simplesmente provoca mal entendidos e discussões entre elas e prepara-lhes
inúmeras armadilhas. Diz um orìkì que:
"Exu é capaz de carregar o óleo que comprou no mercado numa simples
peneira sem que este óleo se derrame".
E assim é Exu, o orixá que faz o erro virar
acerto e o acerto virar erro. Èsù
Alákétú possui essa
denominação quando Exu, por meio de uma artimanha, conseguiu ser o rei da
região, tornando-se um dos reis de Ketu. Sendo que as comunidades dessa nação
no Brasil o reverenciam também com este nome. Todos os assentamentos de Exu
possuem elementos ligados às suas atividades. Atividades múltiplas que o fazem
estar em todos os lugares: a terra, pó, a poeira vinda dos lugares onde ele
atuará. Ali estão depositados como elemento de força diante dos pedidos.
Xirê de Exú Orixá - Com Letra e Tradução - Candomblé - Canticos - Cantigas - Orin
Brasil
No Brasil, no candomblé, Exu é um dos mais importantes orixás e sempre é o primeiro a receber as oferendas, as cantigas e as rezas: é saudado antes de todos os orixás, antes de qualquer cerimônia ou evento. O Exu orixá não incorpora em ninguém para dar consultas como fazem os exus de umbanda, eles são assentados na entrada das casas de candomblé como guardiões, e em toda casa de candomblé há um quarto para Exu, sempre separado dos outros orixás, onde ficam todos os assentamentos dos exus da casa e dos filhos de santo que tenham Exu assentado.
É astucioso, vaidoso, culto e dono de grande sabedoria, grande conhecedor da natureza humana e dos assuntos mundanos daí a assimilação com o diabo pelos primeiros missionários que, assustados, dele fizeram o símbolo da maldade e do ódio. Porém "... nem completamente mau, nem completamente bom ...", na visão de Pierre Verger no texto de sua autoria "Iniciação" - contido no documentário "Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia", Exu reage favoravelmente quando tratado convenientemente, identificado no jogo do merindilogun pelo odu okaran.
Exu recebe diversos nomes, de acordo com a função que exerce ou com suas qualidades: Elegbá ou Elegbará, Bará ou Ibará, Alaketu, Agbô, Odara, Akessan, Lalu, Ijelu (aquele que rege o nascimento e o crescimento de tudo o que existe), Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Iná (reverenciado na cerimônia do padê).
A segunda-feira é o dia da semana consagrado a Exu. Suas cores são o vermelho e o preto; seu símbolo é o ogó (bastão com cabaças que representa o falo); suas contas e cores são o preto e o vermelho; as oferendas são bodes e galos, pretos de preferência, e aguardente, acompanhado de comidas feitas no azeite de dendê. Aconselha-se nunca lhe oferecer certo tipo de azeite, o Adí, por ser extraído do caroço e não da polpa do dendê e portar a violência e a cólera. Sua saudação é "Larôye!" que significa o bem falante e comunicador.
Consiste o padê em um prato de farofa amarela, acaçá, azeite-de-dendê e uma quartinha de água ou cachaça, que são "arriados" para Exu.
Na nação de angola ou candomblé de Angola, Exu recebe o nome de Aluvaiá, Pambu Njila e Legbá, no candomblé jeje.
Não deve ser confundido com a entidade Exu de Umbanda. Os exus de umbanda são entidades de pessoas desencarnadas que, por motivos de evolução espiritual, retornaram à terra para cumprir essa missão junto ao seus seguidores. Essas entidades são confundidas com esu ou exu do candomblé devido à proximidade que Exu tem com os homens. Entretanto, não são considerados orixás como o Exu, e sim entidades espirituais em evolução. Não se deve confundi-los com quiumbas - conhecedores das vontades de homens e mulheres no plano terrestre, onde viveram em épocas diferentes, com os mesmos problemas, desejos e sonhos.
Cantiga De Exú Orixá
Arquétipos
Seus filhos são sensuais, dominadores e inteligentes. Gostam da vida cercada de barulho, muitas pessoas e romances de todo tipo. Adoram festas e não se prendem a ninguém, são muito impulsivos. Mas se amam alguém, dão sua vida se for preciso, sem pensar em nada. Gostam de ajudar e trabalhar, mas podem se tornar vingativos e extremamente cruéis.

Algumas Considerações
["Sobre o Òrìṣà
Èṣù, além de suas atribuições mais conhecidas, embrenhamo-nos em uma de
suas mais complexas e poderosas qualidades – como O
Guardião do Àṣẹ – que,
recebendo a réplica desta força neutra de Olódùmarè (Fálàdé, 1998, p. 494), coloca-a à
disposição de todos, seja para os homens ou para os Òrìṣà,
confirmando queÈṣù de mal ...., nada tem ...,mas ao
contrário, apenas age com justiça.
Suas ações para com os seres humanos são
altamente benéficas, auxiliadoras e produtivas para aqueles que fazem uso
adequado de seu livre-arbítrio e que, com retidão, se portam de maneira
condigna para com os princípios e padrões morais e religiosos, seja em relação
a si mesmo, seja em relação ao meio ambiente em que vive.
Recordando uma frase citada: "(...) Isto
acontece por que algumas pessoas erroneamente possuem a convicção que Eṣu é o
opositor Satanás (Fálàdé, 1998, p. 493) " e que, além disso, o que faz
com que os sacerdotes sejam bons ou maus não é o simples fato de administrar o àṣẹ,
e sim a forma que deliberadamente usam este àṣẹ, podemos dizer que isto é uma
questão humana de caráter, e nada tem haver com o poder divino do Àṣẹ.
O que podemos dizer de Èṣù, que recebeu e administra a cópia
do próprio Àṣẹ de Olódùmarè? Èṣù é igualmente neutro como o próprio Àṣẹ,
por isso é o guardião do Àṣẹ.
Como Òdàrà, ele recebe, como Ẹlégbára,
faz acontecer, e como Òjíṣé. conduz o retorno. Tudo isso é
"Èṣù – Olódùmarè assim determinou." (Abimbola,
1975, p. 3) Será que ele é tão terrível e mau
quanto querem dele fazer? Como ele pode ser tão temível se é tão neutro como o Àṣẹ?
Quando narramos o Odù Iwori-Ofun (Bascom, 1969, pp. 310-311) , vimos que simplesmente Èṣù cumpriu seus desígnios de forma
imparcial.
As explanações aqui realizada efetivamente
enalteceram Èṣù, porém, cabe tecer algumas
considerações sobre a absurda questão, mesmo por sincretismo, de que o Òrìṣà
Èṣùseja o diabo das religiões cristãs e/ou o mal absoluto tratado pelas
religiões ocidentais, que diferem totalmente dos conceitos da religião dos Òrìṣà (Òrìṣàísmo) (Barretti Fº, 2010) , praticada na chamada Yorubaland e nas descendentes da diáspora.
Que fique registrado que a religião dos Òrìṣà,
praticada em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional
adotado, respeita, mas não reconhece a Bíblia como uma de suas diretrizes
sagradas, tampouco o Alcorão e a Torá. Para os Òrìṣàístas,
tratam-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.
O Òrìṣàímo oriundo da tradição oral, portanto
ágrafa, apesar de já contar com muitos escritos, reconhece apenas a
"oralidade" dos Ìtàn-Odù, os Ìtán-Mimó
Òòṣà (histórias sagradas
dos Òrìṣà) como o único "livro ou fala sagrada" a serem
adotadas e que também reconhece os ditames do corpo "literário" do
oráculo de Ifá, os Odù
Ifá, cujo governo pertence à divindade Òrúnmìlà, portador de imensa
sabedoria e conhecido como “Ibìkejì
Olódùmarè – a segunda pessoa
de Olódùmarè”.
Conceitos religiosos europeus e asiáticos não
faziam parte das tradições yorùbá antes das colonizações, nem das
religiões dela descendentes na diáspora, tampouco antes dos senhores de
escravos imporem aos africanos o catolicismo, entre outras religiões.
As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas e das colonizações europeias impostas a povos africanos. (Conferir em: "Os Clérigos Nativos Yorùbá.")
As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas e das colonizações europeias impostas a povos africanos. (Conferir em: "Os Clérigos Nativos Yorùbá.")
Conceitos cristãos como os de alma, céu,
inferno e purgatório encontraram terreno fértil para se propagar nas já
contaminadas tradições yorùbá e de suas descendentes, seja por
missionários, seja por agentes governamentais e seja por autores pertencentes a
outras culturas e/ou crenças que registraram as tradições, os costumes e
religião dosyorùbá, escritos e
interpretados pela ótica do colonizador e/ou opressor. E o pior, os registros
decorrentes dessas interpretações (que até hoje continuam) criaram
"falsas" tradições, que se tornaram "verdades literárias
inquestionáveis" e vitimam a religião yorùbá até hoje. (Conferir em: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu – Os Autores)
Um fato muito importante e que deveria ser
totalmente condenável é que sempre que se estuda ou se faz pesquisa no campo
das religiões comparadas, os parâmetros e os
referenciais são sempre os do cristianismo, islamismo e outras religiões aplicados à
religião tradicional dos yorùbá. A recíproca, infelizmente,
nunca é verdadeira, pois, se assim o fosse, teríamos inúmeras e novas variáveis
a serem avaliadas, para o bem da religião tradicional yorùbá e de suas descendentes."
(Barretti Fº, 2010, pp. 132-133)

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